Dados, informações e análises
Criar bases de dados e informações, monitorar e estudar as mudanças na paisagem e na ocupação do território.
Um grupo de pessoas que habitam Serra Grande e o Sul da Bahia, reunidas desde 2024 para observar, registrar e analisar o território, e para que ele se desenvolva de forma inclusiva, responsável e adaptada aos desafios da mudança do clima.
Áreas de atuação do grupo
Somos um grupo formado por pessoas que habitam, em sua maioria, o Sul da Bahia e Serra Grande, povoado do município de Uruçuca, BA.
Surgimos em 2024, do encontro de profissionais de diferentes áreas. Desde então, discutimos e estudamos o território de Serra Grande em sua singularidade, complexidade e desafios, que envolvem desigualdade, preservação ambiental e valorização da cultura local num contexto de rápido crescimento da população residente, do turismo e da especulação imobiliária.
Queremos incidir para preservar e regenerar a paisagem e garantir o direito à cidade de todas as pessoas, na vila ou no meio rural, com dignidade e qualidade de vida, valorizando uma economia equitativa e responsável.
Acreditamos que é possível preservar e regenerar a floresta e os rios, e também garantir o direito de todas e todos à cidade, à moradia, ao trabalho e à prosperidade.
Nosso modo de atuar é coletivo, colaborativo e comunitário. Cuidamos para que as ações públicas sejam transparentes, proporcionando controle social e a participação da sociedade, e buscamos promover a educação urbanística como um bem cidadão.
Criar bases de dados e informações, monitorar e estudar as mudanças na paisagem e na ocupação do território.
Promover transparência e controle social com conversas, escutas e debates com diferentes atores sobre o espaço urbano e o planejamento territorial.
Difundir o conhecimento sobre o território por meio de campanhas e projetos educativos.












Distrito de Uruçuca, Bahia
Um lugar único no litoral Sul da Bahia, que congrega potência cultural com belas florestas, rios e praias. A serra que se ergue sobre o mar funciona como um mirante e é símbolo de riqueza ambiental e patrimônio cultural.
Esses limites configuram todo o “acervo” de terras para preservação e regeneração ambiental, resguardando fauna e flora, para produção agrícola de alimentos e para expansão da área urbana. A comunidade tem uma relação vital com o lugar, por meio da pesca, das roças familiares e da agricultura, principalmente de cacau e coco. Com a APA, desenvolveu-se também o turismo de baixo impacto, voltado à educação ambiental, resultando em uma cultura urbana plural.
Hoje, as vilas e núcleos urbanos implantados nessa paisagem são pressionados pelo crescimento urbano e pela migração intensa.
A valorização da terra e a chegada de pessoas com maior poder de compra pressionam as famílias de menor renda, que têm mais dificuldade para permanecer ou conseguir onde viver com dignidade.
A expansão urbana acontece muitas vezes sem planejamento. Faltam água encanada de qualidade, esgoto, coleta de resíduos e energia elétrica regular.
A rodovia BA-001 corta Serra Grande e dificulta a circulação entre os bairros. Muitos trechos são perigosos para pedestres, com acidentes graves frequentes.
Há poucos espaços de lazer, convivência e contemplação. Áreas planejadas para praças e equipamentos comunitários seguem fechadas ou subutilizadas.
Serra Grande vive um momento importante. É preciso garantir que o desenvolvimento respeite o ambiente e valorize os modos de vida locais e a economia da região, com moradia digna, acesso à terra, espaços públicos de qualidade e oportunidades para todos, sem excluir quem sempre viveu aqui.
Reunir o conhecimento técnico, cotidiano e tradicional de Serra Grande e arredores e apresentá-lo em cartografias, mapas, desenhos, fotografias, vídeos e outras mídias, promovendo a educação urbanística e ambiental da comunidade.
O material está disponível em plataforma online de uso aberto e colabora no desenvolvimento de políticas públicas inovadoras, de um planejamento territorial justo e na promoção do controle social. Também busca qualificar o conhecimento de quem atua na construção civil, no mercado imobiliário e no turismo, e de quem deseja morar ou empreender em Serra Grande, na direção de uma consciência territorial inclusiva e de preservação.
O que reúne
A quem se destina
Este projeto conta com o apoio da Agência de Desenvolvimento Regional do Sul da Bahia.As discussões sobre o Plano Diretor de Serra Grande foram uma forte motivação para a formação do grupo.
Debatemos o Plano Diretor vigente, aprovado em 2011, e acompanhamos o processo de revisão conduzido pela Prefeitura de Uruçuca com a consultoria em urbanismo Ignatios Ass. Empresarial. Ao longo de 2025, dialogamos com organizações locais que se mobilizaram para formar a Comissão Popular do Plano Diretor de Serra Grande, com o objetivo de complementar as escutas da comunidade, avaliar o projeto da prefeitura e colaborar com propostas coletivas.
Organizações da Comissão Popular
Documentos produzidos pelo Coletivo Mutum
O Acervo de Saberes também é peça importante nesse processo, porque fornece uma base cartográfica precisa e atualizada e experiência em escutas da comunidade para a produção de mapas colaborativos.
A aprovação do Plano Diretor é apenas o começo. É fundamental garantir que seus objetivos saiam do papel por meio de planos anuais, definição de prioridades, alocação de recursos e envolvimento da população em todas as etapas.
Educação urbanística
É uma lei municipal que deve ser elaborada com a participação de toda a sociedade. Ele organiza o crescimento e o funcionamento do município: nele está o projeto de cidade que queremos.
De acordo com a Constituição Federal, deve atender às necessidades dos moradores quanto à qualidade de vida, à justiça social, com moradia e serviços públicos para todos, e ao desenvolvimento econômico plural.
O Plano vale para todo o município, áreas urbanas e rurais, e deve dizer qual é o destino de cada parte, sem esquecer que essas partes formam um todo.
Como são as condições de moradia aqui? Como nos locomovemos e queremos nos locomover? Onde estão os espaços de lazer e de brincar? As áreas verdes são preservadas?
É a lei federal (Lei nº 10.257/2001) que orienta como deve ser feita a política urbana em todo o país. Seu objetivo é garantir o direito à cidade para todos e, para isso, traz as regras para organizar o território do município por meio da elaboração coletiva do Plano Diretor.
É ele que detalha os artigos 182 e 183 do capítulo de política urbana da Constituição Federal.
Para que o Plano seja um pacto, a Prefeitura deve formar um núcleo gestor responsável por preparar, conduzir e monitorar o processo, definindo etapas e prazos. Esse grupo deve ter técnicos do poder público e também membros da sociedade civil, para que as decisões não sejam tomadas apenas no gabinete.
Por estar dentro da APA Itacaré–Serra Grande, Serra Grande elaborou seu plano diretor entre 2008 e 2011. A lei foi aprovada em 2011, depois de um estudo detalhado da região feito com a comunidade, os técnicos da prefeitura e a assessoria de Wolfgang Friedrich Reiber, Joel Melo Berbert de Carvalho e Antônio Sérgio Pedreira Franco Sousa, de Salvador. O documento que relata a história da vila e arredores, seus valores ambientais e culturais, chama-se Diagnóstico Participativo de Serra Grande, 2008 (link em breve). A partir dele, técnicos e representantes da comunidade elaboraram o texto da lei aprovada na Câmara de Vereadores de Uruçuca.
O Plano de 2011 reúne diretrizes, zoneamentos e parâmetros urbanísticos ancorados no Estatuto da Cidade, no PRUA (Plano de Referência Urbanístico Ambiental), no zoneamento da APA e no diagnóstico participativo. Delimita áreas sensíveis (restingas, falésias, escarpas, planícies costeiras), regula usos agrícolas e turísticos com baixa densidade e estabelece Zonas Especiais de Interesse Social, espaços públicos nas falésias, mirantes, caminhos tradicionais a pé e o parque público ao longo do Pancadinha e afluentes: um tecido urbano entremeado de florestas, cursos d’água e nascentes.
Os seis temas setoriais, a revisar em 10 anos
Entre os objetivos estão fortalecer a área urbana tradicional, com a Praça Pedro Gomes como ponto de consolidação cívica, cultural e de serviços turísticos, e consolidar o Bairro Novo como principal polo de habitação popular de interesse social, integrado pelo Parque Urbano da Vila. O Plano também previu a criação de um Conselho da Cidade e de uma agência de desenvolvimento socioterritorial de Serra Grande, para controle e aperfeiçoamento durante seus 10 anos de vigência.
O Mutum acredita que Serra Grande pode se desenvolver de forma responsável, garantindo floresta, rios, moradia, trabalho e espaços públicos de qualidade para todos.